As moedas digitais estão evoluindo — e rápido. De um lado, temos asstablecoins, criadas pelo setor privado como resposta à volatilidade domercado de criptoativos. Do outro, surgem asCBDCs, moedas digitais emitidas por governos para modernizar o dinheiro tradicional. Mas afinal, o que muda com tudo isso? Neste artigo, você vai entender os impactos reais dessas duas propostas no ecossistema cripto e no seu bolso.

O que são stablecoins e CBDCs e por que estão ganhando tanta atenção?
Stablecoins são criptoativos projetados para acompanhar outros ativos, como o dólar ou o euro que, por sua vez, apresentam maior estabilidade de preço em um mercado conhecido por sua volatilidade.Dessa forma, as stablecoins podem facilitar operações de on e off-ramp, ou seja, de entrada e saída do mercado de criptomoedas, além de casos de uso como remessas internacionais e pagamentos instantâneos. Já asmoedas digitais emitidas por bancos centrais, ouCBDCs (do inglês, são versões digitais de moedas oficiais, criadas e controladas pelos próprios governos.
Exemplo de stablecoins populares:
Tether (USDT):lastreada em dólar, com capitalização de mercado em US$ 112 bilhões.
USD Coin (USDC):lastreada em dólar, com capitalização de mercado em US$ 32 bilhões.
DAI (DAI):lastreada em ativos cripto, com capitalização de mercado em US$ 4,8 bilhões.
Fonte: CoinMarketCap - junho de 2025
As stablecoins nasceram no setor privado como solução para a instabilidade do mercado. As CBDCs surgem agora como resposta dos governos à digitalização do dinheiro e ao avanço da tecnologia blockchain.
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Por que os governos estão lançando suas próprias moedas digitais?
Governos ao redor do mundo enxergam nasCBDCsuma forma demodernizar o sistema financeiroecompetir com as inovações do setor privado. Algumas das principais motivações incluem: redução de custos com emissão e logística do dinheiro físico; aumento da eficiência dos pagamentos digitais; monitoramento e controle de transações econômicas; inclusão financeira de populações sem acesso a bancos.
Mapa das iniciativas de CBDCs (junho/2025)
China:em teste nacional (e-CNY).
Brasil:em piloto (Drex).
União Europeia:em fase de consulta.
Nigéria:lançada (eNaira).
Fonte: Atlantic Council
Stablecoins: a resposta privada à instabilidade?
Sim, e de forma eficiente. As stablecoins foram criadas parafacilitar a entrada e saída de criptoativos (on/off ramp)e parapagamentos transfronteiriços, oferecendo rapidez e menor custo em transferências internacionais.
Diferente dasCBDCs, as stablecoinsnão são controladas por governos, sendo emitidas por empresas ou organizações descentralizadas. O lastro dessas moedas digitais pode ser auditado ou não, dependendo do emissor, mas o objetivo principal permanece:proporcionar liquidez e acessibilidade no ecossistema cripto, tornando transações mais ágeis e simples, sem necessidade de intermediários tradicionais.
CBDCs vs stablecoins: quem oferece mais segurança?
A resposta depende do que você entende porsegurança. Se o seu foco éestabilidade garantida pelo governo, asmoedas digitais de bancos centrais (CBDCs)saem na frente. Elas são emitidas diretamente por autoridades monetárias, como o Banco Central, e seguem regras rígidas. Ou seja, têm o mesmo respaldo que a moeda tradicional do país.
Agora, se você buscaliberdade de uso em diferentes plataformas, transferências rápidas e presença no universo cripto, asstablecoins(como o USDT ou o USDC) ganham destaque. Elas são atreladas a moedas fiduciárias, mas circulam em blockchains públicas, com ampla aceitação em protocolos de finanças descentralizadas (DeFi), plataformas e carteiras digitais.
Garantia de lastro:nas CBDCs é altíssima, pois são emitidas por governos; já nas stablecoins depende da transparência do emissor.
Liberdade de uso:nas CBDCs é limitada às diretrizes oficiais; já nas stablecoins há maior flexibilidade.
Privacidade das transações:nas CBDCs é menor devido ao monitoramento estatal; já nas stablecoins pode ser maior em alguns casos.
Adoção institucional:nas CBDCs é crescente, mas lenta; já nas stablecoins está consolidada em plataformas cripto.
As CBDCs trazem um viés "institucional", enquanto as stablecoins oferecemversatilidade e integração com o ecossistema cripto.
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Como as CBDCs podem impactar o uso de stablecoins?
As moedas digitais dos bancos centrais ainda são limitadas eminfraestrutura, interoperabilidade e liberdade de uso. No entanto, com o avanço da regulamentação e maior oferta, asCBDCspodem competir com as stablecoins em áreas como pagamentos internacionais, benefícios sociais e remessas.
Mas existe uma diferença-chave:a adoção orgânica. As stablecoins nasceram dentro do mercado de criptoativos. Já as CBDCs ainda precisam conquistar a adesão dos países para serem implementadas e só depois de todo processo entrar em circulação.
O que muda para o investidor e para o usuário comum?
Para o investidor, stablecoins continuarão sendo, proteção de capital e liquidez em DeFi. Com o crescimento das CBDCs, pode haver uma migração parcial de uso, especialmente em serviços governamentais e bancos tradicionais.
Já para o usuário comum, o uso de CBDCs pode significarpagamentos mais rápidos, seguros e integrados a serviços públicos— como devolução de impostos, subsídios e compras no varejo digital.
Mas vale lembrar:CBDC é dinheiro estatal digital; stablecoin é alternativa privada com aplicações no ecossistema cripto.
🎥Assista:
Esse vídeo da Mynt explica de forma clara por que as stablecoins ganharam tanto espaço nos últimos anos — Vale o play.